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| O NOME DA MORTE Cartaz do Filme |
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| Livro do Jornalista Klester Cavalcante |
"O Nome da Morte" narra a história miserável de Júlio Santana, um pistoleiro de aluguel que declarou ter matado 492
pessoas. O jornalista Klester Cavalcanti contou sua história em livro (foto ao lado), que por
sua vez foi adaptado para o cinema por Henrique Goldman, diretor que parece possuir vocação para contar histórias biográficas, dedutível por suas produções anteriores (Princesa (2001), que conta a luta de um travesti brasileiro para mudar de sexo e casar
com um europeu, e Jean Charles (2009), que conta a trágica história do brasileiro
morto a tiros por engano em Londres, confundido com um terrorista pela polícia
inglesa).
Não posso focar no livro, que
ainda não li, mas assisti ao filme na última terça-feira (14/08/2018) e saí do
cinema com uma forte impressão de ter presenciado uma história muito bem contada. Todo mundo já assistiu algum filme sobre assassinatos, tema bastante recorrente no cinema. Mas ver o tema do matador de aluguel, ou
pistoleiro, baseado em fatos reais, exposto do começo ao fim como uma lida meramente profissional deixa você boquiaberto do começo ao fim, Não há motivações pessoais nos assassinatos praticados pelo protagonista, e essa dissociação entre trabalho e ética o torna quase desumano. Este tipo de personalidade rara, desvinculada de qualquer razão motivadora para fazer o que faz, parece simbolizar a história de um louco.
De toda forma, é um bom filme. A fotografia é limpa, sem grandes trucagens; o som perfeito, a atuação dos
protagonistas é muito boa e falha apenas na performance de alguns atores menores. No entanto, quanto a estes atributos técnicos prefiro não me aprofundar muito, pois não
é minha área de atuação. Quanto ao roteiro, posso dizer que “grudei” na cadeira. O clima
soturno ambienta o filme todo. A cada passo do protagonista, uma nova faceta do
pistoleiro é desvendada, e sua forma de se relacionar com o fenômeno morte diante de um “serviço” de encomenda torna tudo muito fascinante, pois um
personagem grotesco começa a se insurgir diante de nós durante o filme, um verdadeiro adversário do
direito à vida, e tudo isso amparado pelo simples fato de ganhar dinheiro. Este tabu, que se
relaciona com nossa parte mais grotesca através de um fetiche em observar tais
coisas acontecerem, impera em nosso interior sobrepujado por alguma percepção
de uma justiça que não se completa, até que em certo momento do filme não se espera
mais nada como alternativa, e o que se vê é a história do homem que está entre
os mortos, sendo ele mesmo, o tal Júlio Santana, O Nome da Morte.
Não pretendo traçar nenhum
detalhe sobre as cenas do filme, para evitar spoilers. Confira e veja. No
entanto, um aviso prévio: se você está em busca de uma história edificante,
este não é o caso. Não é um filme de suspense; é um filme de terror, que vale o
ingresso.
É isso. Bom filme.
| Os atores Marcos Pigossi e Matheus Nachtergaele em cena do filme |
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