| Romanceiro da Inconfidência - Cecília Meireles |
Saudações.
A foto corresponde à capa da edição comemorativa dos sessenta anos do "Romanceiro da Inconfidência", livro de Cecília Meireles, lançado originalmente em 1953, que reaparece agora neste belo trabalho gráfico da Global Editora.
Esta é, seguramente, uma epopeia brasileira. Ao final do livro, não é possível reproduzir o que ocorreu naqueles espaços mineiros em termos exatos, historiográficos; mas podemos sentir tudo, e a poesia de Cecilia faz com que a obra se cumpra no leitor. Os claros eventos desencadeados nos metros perfeitos da Poeta são pautados de um rigor histórico detalhista, declarado pela própria autora nas divulgações de seu esforço de pesquisa, mas tal fato não transparece com finalidade, digamos, didática. Quem quiser saber dos meandros da Inconfidência Mineira melhor procurar nos livros de história. Agora, se você tiver interesse em saber sobre heroísmo, justiça, honradez, amizade, fé, confiança, lealdade e seus opostos, pode ver estes embates surgirem diante dos seus ouvidos - em canções belíssimas! Uma aventura maravilhosa, com o acento trágico e os desenlaces que uma obra deste nível apresenta. Finalmente, tais eventos parecem ocorrer, em algum nível, no interior de cada um de nós: misteriosa inconfidência, excelente leitura.
TRECHO:
Romance LXXXIV ou Dos cavalos da Inconfidência
(...)
Eles eram muitos cavalos.
E morreram por esses montes,
esses campos, esses abismos,
tendo servido a tantos homens.
Eles eram muitos cavalos,
mas ninguêm mais sabe os seus nomes
sua pelagem, sua origem...
E iam tão alto, e iam tão longe!
E por eles se suspirava,
consultando o imenso horizonte!
- Morreram seus flancos robustos,
que pareciam de ouro e bronze.
Eles eram muitos cavalos.
E jazem por aí, caídos,
misturados às bravas serras,
misturados ao quartzo e ao xisto,
à frescura aquosa das lapas,
ao verdor do trevo florido.
E nunca pensaram na morte.
E nunca souberam de exílios.
Eles eram muitos cavalos,
cumprindo seu duro serviço.
A cinza de seus cavaleiros
neles aprendeu tempo e ritmo,
e a subir aos picos do mundo...
e a rolar pelos precipícios...
E morreram por esses montes,
esses campos, esses abismos,
tendo servido a tantos homens.
Eles eram muitos cavalos,
mas ninguêm mais sabe os seus nomes
sua pelagem, sua origem...
E iam tão alto, e iam tão longe!
E por eles se suspirava,
consultando o imenso horizonte!
- Morreram seus flancos robustos,
que pareciam de ouro e bronze.
Eles eram muitos cavalos.
E jazem por aí, caídos,
misturados às bravas serras,
misturados ao quartzo e ao xisto,
à frescura aquosa das lapas,
ao verdor do trevo florido.
E nunca pensaram na morte.
E nunca souberam de exílios.
Eles eram muitos cavalos,
cumprindo seu duro serviço.
A cinza de seus cavaleiros
neles aprendeu tempo e ritmo,
e a subir aos picos do mundo...
e a rolar pelos precipícios...
(MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. 12ª edição. São Paulo: Global, 2013. p 232-233)
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